sábado, 25 de fevereiro de 2017

6 - O começo

Em uma breve análise deram-se conta de que estavam em São Paulo, no ano de 1900, mais precisamente 15 dias antes da virada do século.
Os trajes e equipamentos chamavam atenção, esgueiraram-se até a casa mais próxima e encontraram ajuda. Encontraram um sujeito que se dispôs a ajudar, dizendo conhecer a profecia e que, finalmente, eles haviam chegado.
Foram levados até a casa de Brisa, uma bruxa que também conhecia a profecia de que lhes falaram, Viu o futuro em seu caldeirão e disse que podia levá-los a pessoas que conhecem melhor a profecia e que, talvez, poderiam ajudar melhor.

Nesse meio tempo, foram descobrindo as condições locais. Os tecno magos, preocupados e tentando achar um jeito de fazer algo que não agrida tanto a realidade local, Apócrifo sentindo-se em casa, como se finalmente tivesse encontrado seu tempo e todos pensando em seus próximos passos.

A casa de Brisa se comporta de maneira estranha, em princípio parece maior por dentro que por fora, além disso, foram alertados para só andarem guiados porque cada passo fora de lugar pode os levar bem distante de onde imaginavam.

Brisa pede um tempo a eles e quando retornam, há um novo convidado os aguardando, o jovem Mark, que hoje, 2017, aparenta ter 50 anos, em 1900 aparenta ter por volta dos 20.
Superado o primeiro momento de tensão lembram-se que Mark estava presente no sonho e, de alguma forma, ele tem consciência do tempo que seguiu, parece uma mente velha em um jovem corpo.

Barulhos na mata e eventos inexplicáveis ao redor da casa de Brisa acontecem a todo instante preocupando nossos despertos do futuro, agora, que venha o amanhecer.

5 - O último lugar

Após algum tempo de reflexão, o grupo, em conjunto com Marco Antônio, concluiu que deveriam seguir para a Capela destruída no Piauí. A viagem requeria alguma preparação e, por isso, decidiram que partiriam no dia seguinte, o mais cedo possível.
Cada qual a seu jeito se preparou para a viagem sendo que Luna responsabilizou-se por conseguir as passagens e reservas e ela, em conjunto com Remígio cuidaram de conseguir documentos para Apócrifo que parece ter caído do céu ante sua falta de documentos e registros. Ainda sem se dar por satisfeitos, por não terem ido aonde supõe a existência dos registros de Apócrifo, pensaram em como colocá-lo no avião, novamente.
E essa foi, sem dúvida, a pior viagem de Apócrifo, se a anterior serviu para que ele visse que coisas mais pesadas que o ar pudessem voar com certa tranquilidade, desta vez ele percebeu não existir tranquilidade, a cada dois segundos (e ele entende do tempo) achava que iria morrer e, nos intervalos, tinha certeza.
Após a chegada, cuidaram de estabelecer comunicação, mormente com espíritos locais, buscando  se situar. Apócrifo tentou, sem sucesso, mostrar a Luna que os espíritos não são "tão ruins assim", ainda que melhor que a viagem de avião, os traumas de Luna não lhe permitem ver com bons olhos tais passagens.
Hospedaram-se em um hotel próximo ao Aeroporto e seguiram viagem para o local da Capela destruída, Alagoinha, quase 400 km do aeroporto. Uma viagem longa, mas feita sem maiores problemas.

Chamavam bastante atenção por onde passavam, seja porque a cidade tem aproximadamente 15 mil habitantes, seja por suas veste e um conjunto improvável de pessoas que se reúnem... a procura de que?

Chegando a Capela, viram que à frente dela, havia uma parte em que a parede, ao lado da porta, estava derrubada, de forma que, quem olhasse de fora, poderia ver quase toda a igreja, exceto pela cobertura que o restante da parede, ainda em pé, conseguia proporcionar. Havia cadeiras quebradas espalhadas pelo local em uma conformação que, aos equipamentos de um etérito bem treinado, não parecia tão aleatória assim.
O altar ainda existia mas a cruz atrás dele estava partida, como se não suportasse mais o seu peso e o material cedesse. Havia algumas cadeiras mais quebradas que outras e em alguma delas, não havia acúmulo de poeira, destoando do resto do local, não parece que foi limpo depois do que, seja lá que for que aconteceu, parece mesmo que o tempo se comportou de maneira estranha.
Tal sensação foi percebida por Remígio, tentando entender o ocorrido e as análises feitas por Alex mostraram que a cadeira sem poeira deveria ter em torno de 500 anos, mas, ao mesmo tempo , possuía características modernas, o que contradiz a leitura anterior, precisamente feita.
Após um efeito de proteção feito por Marco Antonio, que também andou pelos fundos da Igreja, foi possível que nossos pesquisadores do exotérico ficassem mais a vontade e as investigações no local se desenvolveram.
Apócrifo percebeu uma alteração temporal, ainda que sem conseguir identificar sua origem, percebeu uma perturbação temporal como nunca antes havia detectado.
As investigações seguiram e, então, perceberam que algum tipo de ritual foi realizado naquele local, com a participação do garoto e esse ritual tem sérias implicações no estado em que a capela se encontra.
 Como dividiram os potenciais lugares a investigar em dois tipos, de fenômenos naturais e causados pelo homem, decidem por investigar o próximo: "a propagação da AIDs na Zâmbia".
A ida só foi tranquila porque usaram o método de manter Apócrifo dormindo o tempo todo, definitivamente ele não se sente mais confortável voando.
A chegada deles culminou com o descanso e a investigação de um vilarejo pobre, um dos primeiros lugares onde houve notícia da propagação da AIDS, na tentativa de unirem os pontos e chegarem até o garoto.
O carro em que se deslocaram enquanto a estrada permitiu chamou atenção, mas nada que os tirassem de sua meta.
Em dado momento, parte da equipe se dividiu, alguns ainda no carro, outros andando em busca de pistas e do que quer que seja que tenham perdido, ou deixado passar.
Então, veem o garoto passar correndo na esquina à sua frente, seguido por alguém estranhamente familiar.
Ao chegarem próximos o sujeito, alto, magro com uma barba grande e descuidada, com poucos pelos grisalhos, cabelo cumprido, mais para alguém que não liga muito do que para alguém que pretenda ter cabelos cumpridos, vestido com roupas que parece garantir que não se perca mobilidade, o sujeito está segurando o garoto com uma das mãos, enquanto balança a outra no ar, em direção ao garoto e diz qualquer coisa que não se podia ouvir. Gritam para que ele pare, ele os observa por um segundo e retira algo do garoto... um galho? Atirando o garoto no chão, desacordado. Marco Antonio balançou sua varinha (parece que ela sempre esteve em sua mão) proferiu algumas palavras e um instante uma bola de fogo foi atirada na direção do sujeito, batendo em algo poucos metros á sua frente, voltando para Marco Antonio e o acertando em cheio, fazendo-o cair ao chão desacordado.
Seguiu-se uma sucessão de advertências com tentar-se identificar o que os detinha, com algum sucesso, mas não o suficiente para que detivessem o sujeito em sua próxima ação.
Ele quebrou o galho que retirou do garoto e o atirou ao chão. A quebra do galho produziu uma sensação semelhante ao soco mais forte no estômago que alguém já levou, como se suas vísceras fossem arrancadas, mas estavam fisicamente intactos. Ao tocar o chão, pareceu que o mundo perdeu a cor, por um instante pareceu que a luz do mundo fora arrancada. Por um instante congelado.
Ouviu-se a voz de Ben, em algum lugar que poderia ser no mundo todo, ou no fundo de suas mentes, no fim dá no mesmo, né? Dizendo que tentou impedir, mas não teve sucesso, então, como estão conectados de alguma forma com isso tudo, os levaria pra onde tudo começou.
Foram tomados por uma luz forte a ponto de cegá-los, quando acordaram estavam em um local? diferente.

domingo, 1 de maio de 2016

4 - O segundo sonho

Após o interrogatório mais ou menos bem sucedido e com a interrupção misteriosa de Mark, nossos agentes da realidade seguem o caminho de volta, passando pelo mesmo túnel e saindo pelo portão por onde entraram, nesse momento Luna consegue localizá-los em seu radar e sensação de palpitação por não saber onde eles estão diminuí.

Seguem para a ONG de Gustavo para verificar se tudo estava bem por lá e, após um breve período seguido por uma grande sensação de serem observados, a curta estadia é seguida por uma minuciosa investigação de Remígio a um espelho. Acreditando que o tal espelho fosse uma passagem, ou ponto central da observação que perceberam sofrer, investigam o espelho em todas as dimensões que podem imaginar, em todos os lugares e tempo, em todos os espectros e esferas, várias vezes. Quando se deram por satisfeitos, embora Remígio continuasse intrigado com o espelho da ONG, voltaram para casa e concentraram-se em tentar achar uma resposta para todas as perguntas que estavam se fazendo naquele momento: onde está o garoto? Quem é o garoto? Porque foi perseguido? Quem esse Mark pensa que é para falar assim conosco?
Dá-se início a uma pesquisa fim de se achar novas pistas com o objetivo inicial de se localizar o garoto sequestrado e recuperá-lo.
Pesquisam desde os carros envolvidos no sequestro até informações sobre possíveis vigilâncias envolvendo o espelho, passando por meditações em busca de um insight que pudesse guiá-los nessa busca que parecia ainda não ter se mostrado.
Naquela noite tiveram um sonho. Cada um deles viu-se isoladamente como uma gota de chuva que caía de uma densa nuvem. A gota cruzou o céu sendo arrastada pelos fortes ventos criados pela tempestade que ocorria. Cruzou o céu e caiu tocando o ponto mais alto, da mais alta nuvem. Escorreu até que cair em uma folha e, junto com outras gotas criaram peso que dobrou a folha e fez com que todas aquelas gotas caíssem e atingissem violentamente o chão. Quando a gota tocou o chão, a sensação foi como se o mundo perdesse as cores da densa floresta que se via, ao mesmo tempo em que tudo que era belo ou feio, bom ou ruim, quente ou frio se dissipou, a floresta foi repentinamente substituída por uma pálida imagem daquilo que, momentos atrás, foi. As árvores sumiram, o solo fértil estava seco e rachado como se a vida tivesse sido sugada dele. Perceberam-se, não mais como gotas, mas sim como espectadores do evento que viam à sua frente, olharam-se e perceberam que todos da Capela estavam lá, mas também estava Mark.

Em um momento de pesquisas acirradas, nossos jovens são surpreendidos por uma ligação de Marco Antônio que, dentre outras coisas passou um endereço Web a Luna, dizendo que tinham pedido para que lhe entregasse,
Luna soube, ao ver o endereço que se tratava de um ponto seguro, alguém queria entrar em contato e conhecia muito bem as nuances da Rede 2.0.
Chegar ao ponto a colocou em conexão com seu mais recente inimigo, Mark. Esse a questionou sobre o seu homem que foi aprisionado por eles e exigiu, sem sucesso, que fosse solto porque foi lhe proposto que entregasse o garoto sequestrado para que lhe devolvessem o rapaz, o que Mark sequer respondeu, porém, durante a conversa, Mark questionou o que queriam com o garoto, se sabiam quem ele era e se entendiam porque ele não falava nenhuma língua conhecida. Sem maiores sucessos, voltaram-se para suas buscas, que ganhou novos contornos' com uma outra visita de Marco Antônio.
Debateram as possibilidades investigadas e Marco Antônio mostrou uma colação com diversos recortes de jornal, contendo diversas notícias de jornal datadas de momentos variados a partir da década de 1980 que, para ele, estavam de alguma forma conectados.
Tal conexão não passou despercebida para aqueles com senso de realidade mais apurado, resultado que, ao final da conversa decidiram-se por visitar um dos locais indicados nos mapas: uma igreja destruída em Alagoinha, no Piauí.
Os preparativos para viagem foram realizados e, no dia seguinte, colocariam os pés na estrada.
No trajeto para o aeroporto Marco Antonio disse que, após uma noite exaustiva de pesquisas, tinha diminuído o número de lugares conectados nos recortes de jornal reduzindo-os a 7: A Capela destruída no Piauí; uma plantação destruída no Irã; uma escola atacada nos EUA; um maremoto ocorrido no Haiti; uma erupção vulcânica submarina, ocorrida a 200 km ao sudeste do arquipélago de Samoa; prisão de ativistas verdes russos, em Moscou e a propagação da Aids, na Zâmbia,
Imagem meramente ilustrativa
Ainda foi possível dividir em dois grupos: a destruição da capela no Piauí, a plantação destruída no irã, a escola ataca nos EUA e a prisão de ativistas russos de um lado e o maremoto, a erupção vulcânica e a propagação da AIDs na Zâmbia de outro.

terça-feira, 23 de junho de 2015

3 - O descanso interrompido


Nem bem deu tempo para que pudessem tentar entender o que significava aquela música e foram, novamente, surpreendidos por um “ataque” de agentes que, desesperadoramente corriam atrás de um jovem mal saído da puberdade. Sujo, assustado, usando trapos, parecia ter sido retirado de um filme de segunda categoria. A perseguição implacável por agentes altamente treinados tornava o cenário ainda mais surreal. Apesar do horário, quase uma da manhã, o local que é movimentado por ser o principal acesso a uma rodovia, como em um passe de mágika estava quase as moscas, em pouco tempo nem mesmos os moradores de rua que habitam aquelas esquinas permaneceram.

Tentaram, então, nossos jovens da Capela Ninho da Fênix, agirem o mais rapidamente que conseguiam, se agentes da tecnocracia estavam tentando “sequestrar” uma criança, isso não poderia ser bom, deveriam ser detidos. Os primeiros a chegar foram Apócrifo GustavoRemígio ainda finalizava investigação sobre o local com o qual eles sonharam, tentando certificar-se que não passara de um sonho, apoiado por Luna que prestava toda assistência logística que suas habilidades permitiam. Seguiu-se um rápido embate. Após algumas distorções temporais, pílulas ingeridas, armas de raios disparadas e um carro virado – nada muito fora do comum para os dias de hoje, os sequestradores continuam firmes em seus objetivos primários e fugiram levando consigo a criança perdida. Deixando para trás o veículo semidestruído e a vontade de que fossem impedidos.

Na sequência decidiram por seguir os rastros deixados pelos sequestradores de criança, perseguiram-nos até que os rastros sumissem diante dos seus olhos. Era hora de repensar a estratégia feita.

No dia seguinte, para irritação de Luna, entra em contato com o grupo o famigerado hermético Marco Antônio dizendo ter algumas informações que poderiam lhes interessar sobre o fato, mas que não podia explicar, deveriam confiar nele. O que, obviamente, não os deixou contentes.

Dias após, Marco Antônio diz que vai levá-los à informação e conduz todos que se dispuseram a ir (todos exceto Luna) a um paradeiro desconhecido, Luna os rastreava à distância, mas teve sua conexão subitamente interrompida quando o carro dos despertos entrou em um galpão estranhamente comprido, certamente maior por dentro que por fora. Com as portas do galpão fechadas, andaram cerca de 10 minutos em um ambiente escuro, chegando a seu destino. Lá, ao descerem do carro sentiram um frio que não é comum em território brasileiro, como se desembarcassem em uma gelada noite em algum lugar do continente europeu.

Foram, então conduzidos por Marco Antônio até uma porta onde, do lado de dentro depararam-se com uma construção simples, mas de aparência antiga. Uma sala, uma mesa de madeira maciça com 8 cadeiras em volta dela. Além disso só havia um pequeno armário de cozinha e as luzes no teto. No entanto a sala era mais que isso, para buscar um objeto que pediram, Marco Antônio atravessou uma parede como se ela não existisse, dado o realismo da cena, era difícil dizer que parte era real e que parte era ilusória ali.



Na sala estava uma mulher, elegantemente vestida, trata-se de Mariana Tavares, da Ordem de Hermes. Aguardava pelos convidados e aparentava estar furiosa com Marco Antônio, em parte por ter levado aquelas pessoas até ali, em parte pelo outro convidado que estava na sala: um jovem, na faixa de uns 25 anos, cor parda, cabelo moderadamente curtos, mas estava completamente bagunçado. Roupa amarrotada e marcas características de quem apanhou, além de sentado e algemado à cadeira. Marco Antônio disse tratar-se de um dos sequestradores do outro dia, sem, contudo, informar como fora capturado.

Mariana Tavares

Começou, então, uma série de interrogatório/tortura/tortura/interrogatório com o sequestrador, sem muito sucesso porque esse só repetia seu nome e “número de série” (identificação), como um soldado bem treinado. A colheita de provas foi interrompida por um telefonema, em local onde os telefones não funcionam e conectando simultaneamente todos nossos heróis (exceto Apócrifo que mal sabe o que é um telefone) de um superior do agente preso questionando se essa era a espécie de tratamento que os mocinhos dispensavam às pessoas que prendiam e exigiu que soltassem-no imediatamente. Obteve resposta negativa, foi lhe dito que o rapaz seria solto assim que ele entregasse o garoto. Quando questionou o que eles queriam com a criança, não obteve resposta. Após uma curta conversa o homem ao telefone pareceu irritado e disse que ficava o aviso, ou soltavam seu homem, ou ele mataria a todos (se a promessa é fundada, ou não, não se sabe o que se sabe é que ele tem seus números de telefone).

Depois da ligação, a hesitação que poucos viram nos olhos do convidado se desfez, parecia mais confiante de seu destino.

Sua confiança durou mais alguns socos, porretadas, marcas feitas para logo serem curadas, porém, não conseguiu resistir a Apócrifo e Kitsune, em uma dança que nunca foi ensaiada, Apócrifo começou a defumar o convidado com suas ervas para lá de fortes, fazendo com que ele, Kitsune, e quase toda sala relaxasse. Ktisune e Apócrifo, apesar do barulho ambiente, socos voando, gritos de calma, alabardas batendo contra o convidado (sem a intenção de machucar), conseguiram concentrarem-se e invadir em conjunto (quase por acidente) a mente do rapaz que ali estava, ultrapassando as barreiras existentes.

Procuravam uma informação específica, o momento em que ele viu o garoto sequestrado pela última vez, a falta de sorte de Apócrifo em chegar à informação específica sem que isso fosse invasivo, não foi obstáculo para os perscrutadores da verdade, as vontades deles se impuseram, deixando o jovem à sua frente totalmente fora do controle da situação, relembrando tudo o que vivera, nos exatos limites do que nossos investigadores queriam saber.


Souberam que o sequestrado fora levado para um ponto de localização ignorada e o único jeito de entrar lá é através de um aparelho de identificação e acesso, presente nos automóveis das pessoas que são ligadas ao projeto, ativado por identificação da retina e impressões digitaisDescobriram, ainda, que o homem que telefonou (Mark) é uma espécie de chefe de todos no projeto. Conhecem seu rosto, desconhecem seus objetivos. Se ainda faltam respostas eles parecem ter conquistado um objetivo. Nesse meio tempo Luna ficou revisando as gravações que tem acesso para descobrir o fim que o carro danificado teve.

Mark

2 - Uma música dissonante


Ao despertarem do sono profundo, deparam-se com Marco Antônio que aguardava ansiosamente e tranquilamente que seus anfitriões recebessem adequadamente seu mais novo (e inesperado hóspede). Quanto tempo dormiram e pior, a quanto tempo Marco Antônio estava por lá e o que fez com eles, se é que não foi ele próprio que os colocou naquela situação, foram questões que incomodaram demais os inquietos anfitriões, em especial Luna que teve como gota d’água a fala do próprio sobre as defesas da capela (que continua sem nome por ação das forças do destino – chamaremos aqui de Capela ninho da Fênix, por motivos que se seguirão, até que o destino se encarregue de um nome melhor):

Marco Antônio

Qualquer um com uma varinha consegue passar por essas defesas.

Tal conselho foi tomado como uma ofensa pessoal, em especial por Luna, por óbvio a proposta que se seguiu foi recusada: deixar que Marco Antônio cuidasse das defesas do local desde que pudesse partilhar de seu poderoso Nodo. Marco Antônio, então, permitiu que seguissem guiados pelos próprios destinos (desacompanhados de um selo hermético), deixando só o convite que lhe estava em sua posse para a festa na casa do excêntrico Ben.

Ben

Da saída de Marco Antônio até o dia da festa de Ben o que se viu foi um grande trabalho realizado para aprimorar-se as defesas do local sem nome, a.k. Ninho da Fênix. Foram implantadas defesas tecnológicas e medievais, árvores venenosas capazes de atacar eventuais invasores e um sistema de controle de movimentos capaz de fazer inveja ao pentágono, ou superá-lo.

Além disso, criou-se o fogo “sagrado” da capela, aquilo que representa a união de seus habitantes com o próprio Ninho da Fênix. O espírito do local foi acordado, assustando membros da equipe que ainda têm uma certa dificuldade de não se tratar de um fantasma, ou de acreditar que não seja. Surpreendente para os membros da capela foi que, ao acordarem aquele enorme potencial que dormia há muito tempo, depararam-se, não com uma forma aprimorada da existência do edifício, mas sim com um ser mítico, uma Fênix que, não só protege, como é a essência desse local. Mais um fato incomum para esse lugar que toma, cada vez mais, proporções singulares – e sem um selo hermético.

No dia da festa, de tudo que se pode esperar de uma festa cultista, ou melhor, de um cultista do êxtase, errariam caso fossem instigados a tentar adivinhar o que se seguiria. O local, a grande casa de Ben, poderia ser confundido com um desses lugares que qualquer tradição mais esnobe usaria. A festa com petiscos e garçons não passava de uma caricatura mal feita das famosas orgias pelas quais Ben se tornou famoso, fato que interferiu diretamente em sua carreira. De qualquer forma, quase todos os despertos conhecidos da região estavam presentes e, nas primeiras horas de festa, quase todos foram vistos. A ausência mais notada era do próprio Ben, que só foi aparecer tarde da noite, no alto de seu palco armado, para dizer algumas palavras quase sem sentido.

Disse Ben que percebera que algo de importante teria acontecido, ou acontecia, naquele momento e chamou a todos ali para que tentassem ajudar a entender, caso conseguissem. Diante de uma minoria que parecia buscar sentido em suas palavras e uma maioria que se perguntava quais drogas ele havia usado, Ben disse que não era possível explicar, deveria ser sentido.

Tocou, então, uma composição chamada “última música”, música que tem lhe perseguido nos últimos tempos. O início da execução da canção fez o burburinho impaciente da plateia se dissipar. A música causou uma sensação terrível na maioria dos presentes. Alguns, como Apócrifo, foram castigados com uma sensação de angústia e tristeza e, o que é pior, de alguma forma tudo parecia muito real.

A perplexidade tomou conta do ambiente diante do fato de que ninguém conseguia explicar a tal canção. Ben se retirou, dizendo que precisava ir mais fundo nessa história, dando fim à “festa” que convocou.

1 - Um sonho a conquistar

O mundo não é como as pessoas pensam que ele seja, não por serem enganadas por governantes, ou por criaturas que fora do seu alcance sensorial (mesmo que de certa forma aconteça), mas porque escolhem ignorar os aspectos da realidade que lhes incomodam. O mundo é uma merda, porém, quando se está na posição de consertar esse mundo, ou deixar a merda que está, toda a responsabilidade fica em seus ombros e se o sujeito repete por vezes demais que nada pode fazer, isso passa a ser sua realidade.

A maioria absoluta das pessoas hoje prefere permanecer no mundo como está do que tomar para si a responsabilidade de consertá-lo, desgraçadamente isso só aumenta o encargo daqueles que escolhem não fingir, se a vontade da maioria das pessoas é de permanecer como está, essa vontade se torna esmagadora para aqueles que decidem lutar. Todos os desafios do mundo se impõem aos corajosos, mas serão esses corajosos capazes de despertar a vontade de lutar dos demais?

Em um dia quente do verão do tempo presente, seja lá o que tempo signifique para essas pessoas, os corajosos Kitsune, Apócrifo, Luna, Remígio, William e Gustavo foram postos diante de um desafio. De maneira como se a Realidade decidisse mostrar que eles são capazes de vencer desafios que outrora tiveram, como se o Universo conspirasse para colocá-los juntos trabalhando contra o desconhecido.

Receberam a informação, não se sabe de onde, não se sabe porque, que algo poderoso estava sendo escondido, uma arma. Deveriam encontrar tal arma. Essa era toda informação que possuíam. Começaram, então, a procurar por todos os métodos possíveis a tal “arma”.

Luna e Willian, inicialmente dedicaram-se a vasculhar a Web 2.0 (Rede), em busca de informações que pudessem ser úteis, afinal de contas, qualquer objeto que fosse perigoso o bastante para colocá-los nessa condição deixaria rastros e, se deixa rastros, estavam confiantes de que poderiam localizá-lo.

Remígio, por sua vez, utilizou-se de sua habilidade quase mundana de investigação, indo atrás de pistas por sua informante, investigando os locais considerados suspeitos por Luna e Willian em suas buscas preliminares, foi acompanhado nessa empreitada de seus companheiros que, ora o acompanham em suas andanças pela cidade, ora empreendiam os esforços que conseguiam, conversando, buscando seus contatos, tentando descobrir o que quer que fosse que ajudasse nessa empreitada.

Mais tarde, nossos investigadores virtuais conseguiram isolar 4 pontos na cidade que acharam suspeitos pelas informações cruzadas. Decidiram, então, vigiá-los. Luna, que decididamente não gosta de pôr os pés fora de casa, envia seu DRONE a um dos locais, para vigiá-lo. Fica, então, sua peça de ficção monstruosa vigilante quanto ao local que tinha um dono suspeito. Informação levantada, Ramires, dono da casa, um senhor afortunado, de hábitos estranhos e dono de uma invejável fortuna. Contra quem poucos ousam se impor, esse chamou a atenção.

Passaram pelos outros locais e, em investigação caricata, os locais foram descartados, nenhum deles mostrava esconder o que quer que fosse, caso alguém decidisse guardar algo lá, seria um gênio, ou um tolo, de qualquer forma nossos heróis decidiram por descartá-los e voltam-se para a casa de Ramires.

Tal local possuía uma energia mórbida, que assustou Ktisune, além de ser o único ponto no abastado bairro em que os guardas de rua usavam arma de fogo, mesmo à luz do dia. Focaram-se, então, na investigação deste local que ficava na região do Bosque Maia. Descobriram que o dono do local estava aguardando algo para breve, deviam agir logo, portanto.

Senhor de hábitos estranhos, Ramires não tinha seu nome nessa propriedade e nem em nenhuma outra, embora fosse real a influência que exercia. Nunca saía à luz do dia e tinha o estranho hábito de dormir em seu porão, onde nenhum de seus funcionários entrava, conforme perceberam em vigília feita.

Decidiram nossos jovens guerreiros, então, atacarem no dia que consideram ser o anterior ao que Ramires agiria. Optaram por invadir a residência do Sr. Ramires pelos fundos. Em uma tática ousada que envolveu o poder de sedução de Ktisune e o profundo sono da moradora da casa de trás, invadiram o local, meio que escalando, meio que voando sobre o muro de trás, mostrando que são capazes de ignorar a vontade dos locais. Não passaram despercebidos, contudo. Dois guardas estavam no quintal dos fundos e deram o sinal de alerta para os demais, bem como ameaçaram aqueles que invadiam o local, de algum modo bizarro, ver pessoas voando sobre o muro não abalou a vontade desses guardas, não gerou um paradoxo no íntimo dos guardas, mas eles estavam prontos para abrir fogo.

Nossos heróis planejaram, mais ou menos o que fazer, quando entrassem na casa de Ramires, porém, o plano foi deixado de lado assim que a invasão começou, parecia uma turba descontrolada que tentava de todo modo acabar com os planos de Ramires e pegar o item que supunham estar lá.

Tentaram invadir a casa de todos os meios possíveis, levaram tiros, especialmente Remígio, Ktsune e Willian, todavia tiros pareciam não passar de pequenos arranhões para eles e seguiram em frente após passarem por dois dos guardas que estavam no quintal dos fundos.

Dividiram-se entre ir ao piso superior e cuidar dos outros guardas que estavam no andar térreo da casa, sem que Ramires aparecesse até esse momento. A invasão, no entanto, parece ter despertado a fúria de Ramires que deixou seu estranho aposento, subindo apressadamente (bem apressadamente mesmo) as escadas que levam de seu porão até o térreo.

Ao chegar Ramires se posiciona no meio da escada que leva do térreo para o piso superior e, então, em uma fração de segundos, as trevas tomam conta da casa. Aqueles que ainda estavam do lado de fora, conseguem ver a luz do dia como se nada tivesse acontecido, mas quem estava dentro da casa, viu-se, de um segundo para o outro, cego e sentindo-se como se estivesse submerso em um poço de piche, parece as trevas deixaram as profundezas e vieram combater ao lado de Ramires.

A batalha, até então, era vencida com dificuldade por nossos amigos, tem uma virada acachapante. Não só as trevas impedem de ver, dificultam a respiração e os desorientam, ainda mais, os que estão imersos nela são apertados, por uma espécie de tentáculo monstruoso que esmaga impiedosamente àqueles à sua mercê.


Ktisune tenta fugir, mas não consegue. È esmagado implacavelmente até que sente sua vida se esvair, assim como seu ideal de capturar o objeto. Nossos personagens, agora recobram a consciência e então percebem que “tudo não passou de um sonho”, que espécie de sonho, porque todos e como ao mesmo tempo foram levados a um sonho, permanece uma incógnita nesse momento. Permanece na boca o gosto amargo terem falhado, não se sabe bem em que, mas de certo perguntas ficaram sem resposta. Seja lá o que quer que se quisesse expor, seja lá o que for que desejassem que eles descobrissem, ficou no passado, tempos estranhos se colocam à frente e o momento do treinamento passou.