terça-feira, 23 de junho de 2015

1 - Um sonho a conquistar

O mundo não é como as pessoas pensam que ele seja, não por serem enganadas por governantes, ou por criaturas que fora do seu alcance sensorial (mesmo que de certa forma aconteça), mas porque escolhem ignorar os aspectos da realidade que lhes incomodam. O mundo é uma merda, porém, quando se está na posição de consertar esse mundo, ou deixar a merda que está, toda a responsabilidade fica em seus ombros e se o sujeito repete por vezes demais que nada pode fazer, isso passa a ser sua realidade.

A maioria absoluta das pessoas hoje prefere permanecer no mundo como está do que tomar para si a responsabilidade de consertá-lo, desgraçadamente isso só aumenta o encargo daqueles que escolhem não fingir, se a vontade da maioria das pessoas é de permanecer como está, essa vontade se torna esmagadora para aqueles que decidem lutar. Todos os desafios do mundo se impõem aos corajosos, mas serão esses corajosos capazes de despertar a vontade de lutar dos demais?

Em um dia quente do verão do tempo presente, seja lá o que tempo signifique para essas pessoas, os corajosos Kitsune, Apócrifo, Luna, Remígio, William e Gustavo foram postos diante de um desafio. De maneira como se a Realidade decidisse mostrar que eles são capazes de vencer desafios que outrora tiveram, como se o Universo conspirasse para colocá-los juntos trabalhando contra o desconhecido.

Receberam a informação, não se sabe de onde, não se sabe porque, que algo poderoso estava sendo escondido, uma arma. Deveriam encontrar tal arma. Essa era toda informação que possuíam. Começaram, então, a procurar por todos os métodos possíveis a tal “arma”.

Luna e Willian, inicialmente dedicaram-se a vasculhar a Web 2.0 (Rede), em busca de informações que pudessem ser úteis, afinal de contas, qualquer objeto que fosse perigoso o bastante para colocá-los nessa condição deixaria rastros e, se deixa rastros, estavam confiantes de que poderiam localizá-lo.

Remígio, por sua vez, utilizou-se de sua habilidade quase mundana de investigação, indo atrás de pistas por sua informante, investigando os locais considerados suspeitos por Luna e Willian em suas buscas preliminares, foi acompanhado nessa empreitada de seus companheiros que, ora o acompanham em suas andanças pela cidade, ora empreendiam os esforços que conseguiam, conversando, buscando seus contatos, tentando descobrir o que quer que fosse que ajudasse nessa empreitada.

Mais tarde, nossos investigadores virtuais conseguiram isolar 4 pontos na cidade que acharam suspeitos pelas informações cruzadas. Decidiram, então, vigiá-los. Luna, que decididamente não gosta de pôr os pés fora de casa, envia seu DRONE a um dos locais, para vigiá-lo. Fica, então, sua peça de ficção monstruosa vigilante quanto ao local que tinha um dono suspeito. Informação levantada, Ramires, dono da casa, um senhor afortunado, de hábitos estranhos e dono de uma invejável fortuna. Contra quem poucos ousam se impor, esse chamou a atenção.

Passaram pelos outros locais e, em investigação caricata, os locais foram descartados, nenhum deles mostrava esconder o que quer que fosse, caso alguém decidisse guardar algo lá, seria um gênio, ou um tolo, de qualquer forma nossos heróis decidiram por descartá-los e voltam-se para a casa de Ramires.

Tal local possuía uma energia mórbida, que assustou Ktisune, além de ser o único ponto no abastado bairro em que os guardas de rua usavam arma de fogo, mesmo à luz do dia. Focaram-se, então, na investigação deste local que ficava na região do Bosque Maia. Descobriram que o dono do local estava aguardando algo para breve, deviam agir logo, portanto.

Senhor de hábitos estranhos, Ramires não tinha seu nome nessa propriedade e nem em nenhuma outra, embora fosse real a influência que exercia. Nunca saía à luz do dia e tinha o estranho hábito de dormir em seu porão, onde nenhum de seus funcionários entrava, conforme perceberam em vigília feita.

Decidiram nossos jovens guerreiros, então, atacarem no dia que consideram ser o anterior ao que Ramires agiria. Optaram por invadir a residência do Sr. Ramires pelos fundos. Em uma tática ousada que envolveu o poder de sedução de Ktisune e o profundo sono da moradora da casa de trás, invadiram o local, meio que escalando, meio que voando sobre o muro de trás, mostrando que são capazes de ignorar a vontade dos locais. Não passaram despercebidos, contudo. Dois guardas estavam no quintal dos fundos e deram o sinal de alerta para os demais, bem como ameaçaram aqueles que invadiam o local, de algum modo bizarro, ver pessoas voando sobre o muro não abalou a vontade desses guardas, não gerou um paradoxo no íntimo dos guardas, mas eles estavam prontos para abrir fogo.

Nossos heróis planejaram, mais ou menos o que fazer, quando entrassem na casa de Ramires, porém, o plano foi deixado de lado assim que a invasão começou, parecia uma turba descontrolada que tentava de todo modo acabar com os planos de Ramires e pegar o item que supunham estar lá.

Tentaram invadir a casa de todos os meios possíveis, levaram tiros, especialmente Remígio, Ktsune e Willian, todavia tiros pareciam não passar de pequenos arranhões para eles e seguiram em frente após passarem por dois dos guardas que estavam no quintal dos fundos.

Dividiram-se entre ir ao piso superior e cuidar dos outros guardas que estavam no andar térreo da casa, sem que Ramires aparecesse até esse momento. A invasão, no entanto, parece ter despertado a fúria de Ramires que deixou seu estranho aposento, subindo apressadamente (bem apressadamente mesmo) as escadas que levam de seu porão até o térreo.

Ao chegar Ramires se posiciona no meio da escada que leva do térreo para o piso superior e, então, em uma fração de segundos, as trevas tomam conta da casa. Aqueles que ainda estavam do lado de fora, conseguem ver a luz do dia como se nada tivesse acontecido, mas quem estava dentro da casa, viu-se, de um segundo para o outro, cego e sentindo-se como se estivesse submerso em um poço de piche, parece as trevas deixaram as profundezas e vieram combater ao lado de Ramires.

A batalha, até então, era vencida com dificuldade por nossos amigos, tem uma virada acachapante. Não só as trevas impedem de ver, dificultam a respiração e os desorientam, ainda mais, os que estão imersos nela são apertados, por uma espécie de tentáculo monstruoso que esmaga impiedosamente àqueles à sua mercê.


Ktisune tenta fugir, mas não consegue. È esmagado implacavelmente até que sente sua vida se esvair, assim como seu ideal de capturar o objeto. Nossos personagens, agora recobram a consciência e então percebem que “tudo não passou de um sonho”, que espécie de sonho, porque todos e como ao mesmo tempo foram levados a um sonho, permanece uma incógnita nesse momento. Permanece na boca o gosto amargo terem falhado, não se sabe bem em que, mas de certo perguntas ficaram sem resposta. Seja lá o que quer que se quisesse expor, seja lá o que for que desejassem que eles descobrissem, ficou no passado, tempos estranhos se colocam à frente e o momento do treinamento passou.

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