terça-feira, 23 de junho de 2015

2 - Uma música dissonante


Ao despertarem do sono profundo, deparam-se com Marco Antônio que aguardava ansiosamente e tranquilamente que seus anfitriões recebessem adequadamente seu mais novo (e inesperado hóspede). Quanto tempo dormiram e pior, a quanto tempo Marco Antônio estava por lá e o que fez com eles, se é que não foi ele próprio que os colocou naquela situação, foram questões que incomodaram demais os inquietos anfitriões, em especial Luna que teve como gota d’água a fala do próprio sobre as defesas da capela (que continua sem nome por ação das forças do destino – chamaremos aqui de Capela ninho da Fênix, por motivos que se seguirão, até que o destino se encarregue de um nome melhor):

Marco Antônio

Qualquer um com uma varinha consegue passar por essas defesas.

Tal conselho foi tomado como uma ofensa pessoal, em especial por Luna, por óbvio a proposta que se seguiu foi recusada: deixar que Marco Antônio cuidasse das defesas do local desde que pudesse partilhar de seu poderoso Nodo. Marco Antônio, então, permitiu que seguissem guiados pelos próprios destinos (desacompanhados de um selo hermético), deixando só o convite que lhe estava em sua posse para a festa na casa do excêntrico Ben.

Ben

Da saída de Marco Antônio até o dia da festa de Ben o que se viu foi um grande trabalho realizado para aprimorar-se as defesas do local sem nome, a.k. Ninho da Fênix. Foram implantadas defesas tecnológicas e medievais, árvores venenosas capazes de atacar eventuais invasores e um sistema de controle de movimentos capaz de fazer inveja ao pentágono, ou superá-lo.

Além disso, criou-se o fogo “sagrado” da capela, aquilo que representa a união de seus habitantes com o próprio Ninho da Fênix. O espírito do local foi acordado, assustando membros da equipe que ainda têm uma certa dificuldade de não se tratar de um fantasma, ou de acreditar que não seja. Surpreendente para os membros da capela foi que, ao acordarem aquele enorme potencial que dormia há muito tempo, depararam-se, não com uma forma aprimorada da existência do edifício, mas sim com um ser mítico, uma Fênix que, não só protege, como é a essência desse local. Mais um fato incomum para esse lugar que toma, cada vez mais, proporções singulares – e sem um selo hermético.

No dia da festa, de tudo que se pode esperar de uma festa cultista, ou melhor, de um cultista do êxtase, errariam caso fossem instigados a tentar adivinhar o que se seguiria. O local, a grande casa de Ben, poderia ser confundido com um desses lugares que qualquer tradição mais esnobe usaria. A festa com petiscos e garçons não passava de uma caricatura mal feita das famosas orgias pelas quais Ben se tornou famoso, fato que interferiu diretamente em sua carreira. De qualquer forma, quase todos os despertos conhecidos da região estavam presentes e, nas primeiras horas de festa, quase todos foram vistos. A ausência mais notada era do próprio Ben, que só foi aparecer tarde da noite, no alto de seu palco armado, para dizer algumas palavras quase sem sentido.

Disse Ben que percebera que algo de importante teria acontecido, ou acontecia, naquele momento e chamou a todos ali para que tentassem ajudar a entender, caso conseguissem. Diante de uma minoria que parecia buscar sentido em suas palavras e uma maioria que se perguntava quais drogas ele havia usado, Ben disse que não era possível explicar, deveria ser sentido.

Tocou, então, uma composição chamada “última música”, música que tem lhe perseguido nos últimos tempos. O início da execução da canção fez o burburinho impaciente da plateia se dissipar. A música causou uma sensação terrível na maioria dos presentes. Alguns, como Apócrifo, foram castigados com uma sensação de angústia e tristeza e, o que é pior, de alguma forma tudo parecia muito real.

A perplexidade tomou conta do ambiente diante do fato de que ninguém conseguia explicar a tal canção. Ben se retirou, dizendo que precisava ir mais fundo nessa história, dando fim à “festa” que convocou.

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