Nem bem deu tempo para que pudessem tentar entender o que significava aquela música e foram, novamente, surpreendidos por um “ataque” de agentes que, desesperadoramente corriam atrás de um jovem mal saído da puberdade. Sujo, assustado, usando trapos, parecia ter sido retirado de um filme de segunda categoria. A perseguição implacável por agentes altamente treinados tornava o cenário ainda mais surreal. Apesar do horário, quase uma da manhã, o local que é movimentado por ser o principal acesso a uma rodovia, como em um passe de mágika estava quase as moscas, em pouco tempo nem mesmos os moradores de rua que habitam aquelas esquinas permaneceram.
Tentaram, então, nossos jovens da Capela Ninho da Fênix, agirem o mais rapidamente que conseguiam, se agentes da tecnocracia estavam tentando “sequestrar” uma criança, isso não poderia ser bom, deveriam ser detidos. Os primeiros a chegar foram Apócrifo e Gustavo. Remígio ainda finalizava investigação sobre o local com o qual eles sonharam, tentando certificar-se que não passara de um sonho, apoiado por Luna que prestava toda assistência logística que suas habilidades permitiam. Seguiu-se um rápido embate. Após algumas distorções temporais, pílulas ingeridas, armas de raios disparadas e um carro virado – nada muito fora do comum para os dias de hoje, os sequestradores continuam firmes em seus objetivos primários e fugiram levando consigo a criança perdida. Deixando para trás o veículo semidestruído e a vontade de que fossem impedidos.
Na sequência decidiram por seguir os rastros deixados pelos sequestradores de criança, perseguiram-nos até que os rastros sumissem diante dos seus olhos. Era hora de repensar a estratégia feita.
No dia seguinte, para irritação de Luna, entra em contato com o grupo o famigerado hermético Marco Antônio dizendo ter algumas informações que poderiam lhes interessar sobre o fato, mas que não podia explicar, deveriam confiar nele. O que, obviamente, não os deixou contentes.
Dias após, Marco Antônio diz que vai levá-los à informação e conduz todos que se dispuseram a ir (todos exceto Luna) a um paradeiro desconhecido, Luna os rastreava à distância, mas teve sua conexão subitamente interrompida quando o carro dos despertos entrou em um galpão estranhamente comprido, certamente maior por dentro que por fora. Com as portas do galpão fechadas, andaram cerca de 10 minutos em um ambiente escuro, chegando a seu destino. Lá, ao descerem do carro sentiram um frio que não é comum em território brasileiro, como se desembarcassem em uma gelada noite em algum lugar do continente europeu.
Foram, então conduzidos por Marco Antônio até uma porta onde, do lado de dentro depararam-se com uma construção simples, mas de aparência antiga. Uma sala, uma mesa de madeira maciça com 8 cadeiras em volta dela. Além disso só havia um pequeno armário de cozinha e as luzes no teto. No entanto a sala era mais que isso, para buscar um objeto que pediram, Marco Antônio atravessou uma parede como se ela não existisse, dado o realismo da cena, era difícil dizer que parte era real e que parte era ilusória ali.
Na sala estava uma mulher, elegantemente vestida, trata-se de Mariana Tavares, da Ordem de Hermes. Aguardava pelos convidados e aparentava estar furiosa com Marco Antônio, em parte por ter levado aquelas pessoas até ali, em parte pelo outro convidado que estava na sala: um jovem, na faixa de uns 25 anos, cor parda, cabelo moderadamente curtos, mas estava completamente bagunçado. Roupa amarrotada e marcas características de quem apanhou, além de sentado e algemado à cadeira. Marco Antônio disse tratar-se de um dos sequestradores do outro dia, sem, contudo, informar como fora capturado.
Mariana Tavares
Começou, então, uma série de interrogatório/tortura/tortura/interrogatório com o sequestrador, sem muito sucesso porque esse só repetia seu nome e “número de série” (identificação), como um soldado bem treinado. A colheita de provas foi interrompida por um telefonema, em local onde os telefones não funcionam e conectando simultaneamente todos nossos heróis (exceto Apócrifo que mal sabe o que é um telefone) de um superior do agente preso questionando se essa era a espécie de tratamento que os mocinhos dispensavam às pessoas que prendiam e exigiu que soltassem-no imediatamente. Obteve resposta negativa, foi lhe dito que o rapaz seria solto assim que ele entregasse o garoto. Quando questionou o que eles queriam com a criança, não obteve resposta. Após uma curta conversa o homem ao telefone pareceu irritado e disse que ficava o aviso, ou soltavam seu homem, ou ele mataria a todos (se a promessa é fundada, ou não, não se sabe o que se sabe é que ele tem seus números de telefone).
Depois da ligação, a hesitação que poucos viram nos olhos do convidado se desfez, parecia mais confiante de seu destino.
Sua confiança durou mais alguns socos, porretadas, marcas feitas para logo serem curadas, porém, não conseguiu resistir a Apócrifo e Kitsune, em uma dança que nunca foi ensaiada, Apócrifo começou a defumar o convidado com suas ervas para lá de fortes, fazendo com que ele, Kitsune, e quase toda sala relaxasse. Ktisune e Apócrifo, apesar do barulho ambiente, socos voando, gritos de calma, alabardas batendo contra o convidado (sem a intenção de machucar), conseguiram concentrarem-se e invadir em conjunto (quase por acidente) a mente do rapaz que ali estava, ultrapassando as barreiras existentes.
Procuravam uma informação específica, o momento em que ele viu o garoto sequestrado pela última vez, a falta de sorte de Apócrifo em chegar à informação específica sem que isso fosse invasivo, não foi obstáculo para os perscrutadores da verdade, as vontades deles se impuseram, deixando o jovem à sua frente totalmente fora do controle da situação, relembrando tudo o que vivera, nos exatos limites do que nossos investigadores queriam saber.
Souberam que o sequestrado fora levado para um ponto de localização ignorada e o único jeito de entrar lá é através de um aparelho de identificação e acesso, presente nos automóveis das pessoas que são ligadas ao projeto, ativado por identificação da retina e impressões digitais. Descobriram, ainda, que o homem que telefonou (Mark) é uma espécie de chefe de todos no projeto. Conhecem seu rosto, desconhecem seus objetivos. Se ainda faltam respostas eles parecem ter conquistado um objetivo. Nesse meio tempo Luna ficou revisando as gravações que tem acesso para descobrir o fim que o carro danificado teve.
Mark



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