terça-feira, 23 de junho de 2015

3 - O descanso interrompido


Nem bem deu tempo para que pudessem tentar entender o que significava aquela música e foram, novamente, surpreendidos por um “ataque” de agentes que, desesperadoramente corriam atrás de um jovem mal saído da puberdade. Sujo, assustado, usando trapos, parecia ter sido retirado de um filme de segunda categoria. A perseguição implacável por agentes altamente treinados tornava o cenário ainda mais surreal. Apesar do horário, quase uma da manhã, o local que é movimentado por ser o principal acesso a uma rodovia, como em um passe de mágika estava quase as moscas, em pouco tempo nem mesmos os moradores de rua que habitam aquelas esquinas permaneceram.

Tentaram, então, nossos jovens da Capela Ninho da Fênix, agirem o mais rapidamente que conseguiam, se agentes da tecnocracia estavam tentando “sequestrar” uma criança, isso não poderia ser bom, deveriam ser detidos. Os primeiros a chegar foram Apócrifo GustavoRemígio ainda finalizava investigação sobre o local com o qual eles sonharam, tentando certificar-se que não passara de um sonho, apoiado por Luna que prestava toda assistência logística que suas habilidades permitiam. Seguiu-se um rápido embate. Após algumas distorções temporais, pílulas ingeridas, armas de raios disparadas e um carro virado – nada muito fora do comum para os dias de hoje, os sequestradores continuam firmes em seus objetivos primários e fugiram levando consigo a criança perdida. Deixando para trás o veículo semidestruído e a vontade de que fossem impedidos.

Na sequência decidiram por seguir os rastros deixados pelos sequestradores de criança, perseguiram-nos até que os rastros sumissem diante dos seus olhos. Era hora de repensar a estratégia feita.

No dia seguinte, para irritação de Luna, entra em contato com o grupo o famigerado hermético Marco Antônio dizendo ter algumas informações que poderiam lhes interessar sobre o fato, mas que não podia explicar, deveriam confiar nele. O que, obviamente, não os deixou contentes.

Dias após, Marco Antônio diz que vai levá-los à informação e conduz todos que se dispuseram a ir (todos exceto Luna) a um paradeiro desconhecido, Luna os rastreava à distância, mas teve sua conexão subitamente interrompida quando o carro dos despertos entrou em um galpão estranhamente comprido, certamente maior por dentro que por fora. Com as portas do galpão fechadas, andaram cerca de 10 minutos em um ambiente escuro, chegando a seu destino. Lá, ao descerem do carro sentiram um frio que não é comum em território brasileiro, como se desembarcassem em uma gelada noite em algum lugar do continente europeu.

Foram, então conduzidos por Marco Antônio até uma porta onde, do lado de dentro depararam-se com uma construção simples, mas de aparência antiga. Uma sala, uma mesa de madeira maciça com 8 cadeiras em volta dela. Além disso só havia um pequeno armário de cozinha e as luzes no teto. No entanto a sala era mais que isso, para buscar um objeto que pediram, Marco Antônio atravessou uma parede como se ela não existisse, dado o realismo da cena, era difícil dizer que parte era real e que parte era ilusória ali.



Na sala estava uma mulher, elegantemente vestida, trata-se de Mariana Tavares, da Ordem de Hermes. Aguardava pelos convidados e aparentava estar furiosa com Marco Antônio, em parte por ter levado aquelas pessoas até ali, em parte pelo outro convidado que estava na sala: um jovem, na faixa de uns 25 anos, cor parda, cabelo moderadamente curtos, mas estava completamente bagunçado. Roupa amarrotada e marcas características de quem apanhou, além de sentado e algemado à cadeira. Marco Antônio disse tratar-se de um dos sequestradores do outro dia, sem, contudo, informar como fora capturado.

Mariana Tavares

Começou, então, uma série de interrogatório/tortura/tortura/interrogatório com o sequestrador, sem muito sucesso porque esse só repetia seu nome e “número de série” (identificação), como um soldado bem treinado. A colheita de provas foi interrompida por um telefonema, em local onde os telefones não funcionam e conectando simultaneamente todos nossos heróis (exceto Apócrifo que mal sabe o que é um telefone) de um superior do agente preso questionando se essa era a espécie de tratamento que os mocinhos dispensavam às pessoas que prendiam e exigiu que soltassem-no imediatamente. Obteve resposta negativa, foi lhe dito que o rapaz seria solto assim que ele entregasse o garoto. Quando questionou o que eles queriam com a criança, não obteve resposta. Após uma curta conversa o homem ao telefone pareceu irritado e disse que ficava o aviso, ou soltavam seu homem, ou ele mataria a todos (se a promessa é fundada, ou não, não se sabe o que se sabe é que ele tem seus números de telefone).

Depois da ligação, a hesitação que poucos viram nos olhos do convidado se desfez, parecia mais confiante de seu destino.

Sua confiança durou mais alguns socos, porretadas, marcas feitas para logo serem curadas, porém, não conseguiu resistir a Apócrifo e Kitsune, em uma dança que nunca foi ensaiada, Apócrifo começou a defumar o convidado com suas ervas para lá de fortes, fazendo com que ele, Kitsune, e quase toda sala relaxasse. Ktisune e Apócrifo, apesar do barulho ambiente, socos voando, gritos de calma, alabardas batendo contra o convidado (sem a intenção de machucar), conseguiram concentrarem-se e invadir em conjunto (quase por acidente) a mente do rapaz que ali estava, ultrapassando as barreiras existentes.

Procuravam uma informação específica, o momento em que ele viu o garoto sequestrado pela última vez, a falta de sorte de Apócrifo em chegar à informação específica sem que isso fosse invasivo, não foi obstáculo para os perscrutadores da verdade, as vontades deles se impuseram, deixando o jovem à sua frente totalmente fora do controle da situação, relembrando tudo o que vivera, nos exatos limites do que nossos investigadores queriam saber.


Souberam que o sequestrado fora levado para um ponto de localização ignorada e o único jeito de entrar lá é através de um aparelho de identificação e acesso, presente nos automóveis das pessoas que são ligadas ao projeto, ativado por identificação da retina e impressões digitaisDescobriram, ainda, que o homem que telefonou (Mark) é uma espécie de chefe de todos no projeto. Conhecem seu rosto, desconhecem seus objetivos. Se ainda faltam respostas eles parecem ter conquistado um objetivo. Nesse meio tempo Luna ficou revisando as gravações que tem acesso para descobrir o fim que o carro danificado teve.

Mark

2 - Uma música dissonante


Ao despertarem do sono profundo, deparam-se com Marco Antônio que aguardava ansiosamente e tranquilamente que seus anfitriões recebessem adequadamente seu mais novo (e inesperado hóspede). Quanto tempo dormiram e pior, a quanto tempo Marco Antônio estava por lá e o que fez com eles, se é que não foi ele próprio que os colocou naquela situação, foram questões que incomodaram demais os inquietos anfitriões, em especial Luna que teve como gota d’água a fala do próprio sobre as defesas da capela (que continua sem nome por ação das forças do destino – chamaremos aqui de Capela ninho da Fênix, por motivos que se seguirão, até que o destino se encarregue de um nome melhor):

Marco Antônio

Qualquer um com uma varinha consegue passar por essas defesas.

Tal conselho foi tomado como uma ofensa pessoal, em especial por Luna, por óbvio a proposta que se seguiu foi recusada: deixar que Marco Antônio cuidasse das defesas do local desde que pudesse partilhar de seu poderoso Nodo. Marco Antônio, então, permitiu que seguissem guiados pelos próprios destinos (desacompanhados de um selo hermético), deixando só o convite que lhe estava em sua posse para a festa na casa do excêntrico Ben.

Ben

Da saída de Marco Antônio até o dia da festa de Ben o que se viu foi um grande trabalho realizado para aprimorar-se as defesas do local sem nome, a.k. Ninho da Fênix. Foram implantadas defesas tecnológicas e medievais, árvores venenosas capazes de atacar eventuais invasores e um sistema de controle de movimentos capaz de fazer inveja ao pentágono, ou superá-lo.

Além disso, criou-se o fogo “sagrado” da capela, aquilo que representa a união de seus habitantes com o próprio Ninho da Fênix. O espírito do local foi acordado, assustando membros da equipe que ainda têm uma certa dificuldade de não se tratar de um fantasma, ou de acreditar que não seja. Surpreendente para os membros da capela foi que, ao acordarem aquele enorme potencial que dormia há muito tempo, depararam-se, não com uma forma aprimorada da existência do edifício, mas sim com um ser mítico, uma Fênix que, não só protege, como é a essência desse local. Mais um fato incomum para esse lugar que toma, cada vez mais, proporções singulares – e sem um selo hermético.

No dia da festa, de tudo que se pode esperar de uma festa cultista, ou melhor, de um cultista do êxtase, errariam caso fossem instigados a tentar adivinhar o que se seguiria. O local, a grande casa de Ben, poderia ser confundido com um desses lugares que qualquer tradição mais esnobe usaria. A festa com petiscos e garçons não passava de uma caricatura mal feita das famosas orgias pelas quais Ben se tornou famoso, fato que interferiu diretamente em sua carreira. De qualquer forma, quase todos os despertos conhecidos da região estavam presentes e, nas primeiras horas de festa, quase todos foram vistos. A ausência mais notada era do próprio Ben, que só foi aparecer tarde da noite, no alto de seu palco armado, para dizer algumas palavras quase sem sentido.

Disse Ben que percebera que algo de importante teria acontecido, ou acontecia, naquele momento e chamou a todos ali para que tentassem ajudar a entender, caso conseguissem. Diante de uma minoria que parecia buscar sentido em suas palavras e uma maioria que se perguntava quais drogas ele havia usado, Ben disse que não era possível explicar, deveria ser sentido.

Tocou, então, uma composição chamada “última música”, música que tem lhe perseguido nos últimos tempos. O início da execução da canção fez o burburinho impaciente da plateia se dissipar. A música causou uma sensação terrível na maioria dos presentes. Alguns, como Apócrifo, foram castigados com uma sensação de angústia e tristeza e, o que é pior, de alguma forma tudo parecia muito real.

A perplexidade tomou conta do ambiente diante do fato de que ninguém conseguia explicar a tal canção. Ben se retirou, dizendo que precisava ir mais fundo nessa história, dando fim à “festa” que convocou.

1 - Um sonho a conquistar

O mundo não é como as pessoas pensam que ele seja, não por serem enganadas por governantes, ou por criaturas que fora do seu alcance sensorial (mesmo que de certa forma aconteça), mas porque escolhem ignorar os aspectos da realidade que lhes incomodam. O mundo é uma merda, porém, quando se está na posição de consertar esse mundo, ou deixar a merda que está, toda a responsabilidade fica em seus ombros e se o sujeito repete por vezes demais que nada pode fazer, isso passa a ser sua realidade.

A maioria absoluta das pessoas hoje prefere permanecer no mundo como está do que tomar para si a responsabilidade de consertá-lo, desgraçadamente isso só aumenta o encargo daqueles que escolhem não fingir, se a vontade da maioria das pessoas é de permanecer como está, essa vontade se torna esmagadora para aqueles que decidem lutar. Todos os desafios do mundo se impõem aos corajosos, mas serão esses corajosos capazes de despertar a vontade de lutar dos demais?

Em um dia quente do verão do tempo presente, seja lá o que tempo signifique para essas pessoas, os corajosos Kitsune, Apócrifo, Luna, Remígio, William e Gustavo foram postos diante de um desafio. De maneira como se a Realidade decidisse mostrar que eles são capazes de vencer desafios que outrora tiveram, como se o Universo conspirasse para colocá-los juntos trabalhando contra o desconhecido.

Receberam a informação, não se sabe de onde, não se sabe porque, que algo poderoso estava sendo escondido, uma arma. Deveriam encontrar tal arma. Essa era toda informação que possuíam. Começaram, então, a procurar por todos os métodos possíveis a tal “arma”.

Luna e Willian, inicialmente dedicaram-se a vasculhar a Web 2.0 (Rede), em busca de informações que pudessem ser úteis, afinal de contas, qualquer objeto que fosse perigoso o bastante para colocá-los nessa condição deixaria rastros e, se deixa rastros, estavam confiantes de que poderiam localizá-lo.

Remígio, por sua vez, utilizou-se de sua habilidade quase mundana de investigação, indo atrás de pistas por sua informante, investigando os locais considerados suspeitos por Luna e Willian em suas buscas preliminares, foi acompanhado nessa empreitada de seus companheiros que, ora o acompanham em suas andanças pela cidade, ora empreendiam os esforços que conseguiam, conversando, buscando seus contatos, tentando descobrir o que quer que fosse que ajudasse nessa empreitada.

Mais tarde, nossos investigadores virtuais conseguiram isolar 4 pontos na cidade que acharam suspeitos pelas informações cruzadas. Decidiram, então, vigiá-los. Luna, que decididamente não gosta de pôr os pés fora de casa, envia seu DRONE a um dos locais, para vigiá-lo. Fica, então, sua peça de ficção monstruosa vigilante quanto ao local que tinha um dono suspeito. Informação levantada, Ramires, dono da casa, um senhor afortunado, de hábitos estranhos e dono de uma invejável fortuna. Contra quem poucos ousam se impor, esse chamou a atenção.

Passaram pelos outros locais e, em investigação caricata, os locais foram descartados, nenhum deles mostrava esconder o que quer que fosse, caso alguém decidisse guardar algo lá, seria um gênio, ou um tolo, de qualquer forma nossos heróis decidiram por descartá-los e voltam-se para a casa de Ramires.

Tal local possuía uma energia mórbida, que assustou Ktisune, além de ser o único ponto no abastado bairro em que os guardas de rua usavam arma de fogo, mesmo à luz do dia. Focaram-se, então, na investigação deste local que ficava na região do Bosque Maia. Descobriram que o dono do local estava aguardando algo para breve, deviam agir logo, portanto.

Senhor de hábitos estranhos, Ramires não tinha seu nome nessa propriedade e nem em nenhuma outra, embora fosse real a influência que exercia. Nunca saía à luz do dia e tinha o estranho hábito de dormir em seu porão, onde nenhum de seus funcionários entrava, conforme perceberam em vigília feita.

Decidiram nossos jovens guerreiros, então, atacarem no dia que consideram ser o anterior ao que Ramires agiria. Optaram por invadir a residência do Sr. Ramires pelos fundos. Em uma tática ousada que envolveu o poder de sedução de Ktisune e o profundo sono da moradora da casa de trás, invadiram o local, meio que escalando, meio que voando sobre o muro de trás, mostrando que são capazes de ignorar a vontade dos locais. Não passaram despercebidos, contudo. Dois guardas estavam no quintal dos fundos e deram o sinal de alerta para os demais, bem como ameaçaram aqueles que invadiam o local, de algum modo bizarro, ver pessoas voando sobre o muro não abalou a vontade desses guardas, não gerou um paradoxo no íntimo dos guardas, mas eles estavam prontos para abrir fogo.

Nossos heróis planejaram, mais ou menos o que fazer, quando entrassem na casa de Ramires, porém, o plano foi deixado de lado assim que a invasão começou, parecia uma turba descontrolada que tentava de todo modo acabar com os planos de Ramires e pegar o item que supunham estar lá.

Tentaram invadir a casa de todos os meios possíveis, levaram tiros, especialmente Remígio, Ktsune e Willian, todavia tiros pareciam não passar de pequenos arranhões para eles e seguiram em frente após passarem por dois dos guardas que estavam no quintal dos fundos.

Dividiram-se entre ir ao piso superior e cuidar dos outros guardas que estavam no andar térreo da casa, sem que Ramires aparecesse até esse momento. A invasão, no entanto, parece ter despertado a fúria de Ramires que deixou seu estranho aposento, subindo apressadamente (bem apressadamente mesmo) as escadas que levam de seu porão até o térreo.

Ao chegar Ramires se posiciona no meio da escada que leva do térreo para o piso superior e, então, em uma fração de segundos, as trevas tomam conta da casa. Aqueles que ainda estavam do lado de fora, conseguem ver a luz do dia como se nada tivesse acontecido, mas quem estava dentro da casa, viu-se, de um segundo para o outro, cego e sentindo-se como se estivesse submerso em um poço de piche, parece as trevas deixaram as profundezas e vieram combater ao lado de Ramires.

A batalha, até então, era vencida com dificuldade por nossos amigos, tem uma virada acachapante. Não só as trevas impedem de ver, dificultam a respiração e os desorientam, ainda mais, os que estão imersos nela são apertados, por uma espécie de tentáculo monstruoso que esmaga impiedosamente àqueles à sua mercê.


Ktisune tenta fugir, mas não consegue. È esmagado implacavelmente até que sente sua vida se esvair, assim como seu ideal de capturar o objeto. Nossos personagens, agora recobram a consciência e então percebem que “tudo não passou de um sonho”, que espécie de sonho, porque todos e como ao mesmo tempo foram levados a um sonho, permanece uma incógnita nesse momento. Permanece na boca o gosto amargo terem falhado, não se sabe bem em que, mas de certo perguntas ficaram sem resposta. Seja lá o que quer que se quisesse expor, seja lá o que for que desejassem que eles descobrissem, ficou no passado, tempos estranhos se colocam à frente e o momento do treinamento passou.